Monitorização do Delirium na UTI

 

 

 O delirium permanece consideravelmente sub-diagnosticado, apesar de sua elevada prevalência na unidade de terapia intensiva (UTI). SALLUH (2009).

 Há relatos de prevalência em UTI que variam de 28% a 73%. Janz DR e cols.(2010).

 Delirium consiste em um estado confusional agudo, representando a manifestação da disfunção cerebral aguda e que pode cursar com diferentes manifestações clínicas. PANDHARIPANDE e cols.(2005).

O Delirium é uma síndrome que tem como evento central o prejuízo da consciência, acompanhada a essas alterações decorrem prejuízo cognitivo e comportamental de forma flutuante. Para este diagnóstico deve-se ter em mente que essas alterações não podem decorrer de processo demencial instalado ou em evolução. Para a diferenciação entre Demência e Delirium vale lembrar que o último tem seu início abrupto e em conseqüência a situações clínicas diversas. BALLONE (2008).

O Delirium costuma se desenvolver agudamente, geralmente em horas ou poucos dias, tendendo a flutuar de intensidade ao longo do período. A alteração da consciência no Delirium se manifesta por uma significativa redução da clareza da consciência em relação ao ambiente. Está seriamente prejudicada a capacidade para focalizar, manter ou deslocar a atenção. O comprometimento da memória é evidente no Delirium, acometendo com maior freqüência a memória recente. Neste caso a semiologia consta em pedir que o paciente memorize vários objetos sem relação entre si ou uma frase curta e os repita após alguns minutos de distração. A perturbação na linguagem pode se evidenciar com disnomia, isto é, um prejuízo na capacidade de nomear objetos, ou disgrafia, o prejuízo na capacidade de escrever. Em alguns casos, o discurso é dispersivo e irrelevante, outras vezes é compulsivo e incoerente, com mudanças imprevisíveis de assunto. BALLONE (2008).

 

 O quadro clínico varia de um paciente hipoativo e sonolento até agitação psicomotora com alucinações na forma hiperativa. O quadro mais freqüente do delirium é a forma hipoativa, enquanto a forma hiperreativa pura é relativamente rara (<5%). Peterson JF,2006.

Os pacientes podem aparecer, obviamente, sonolento, apático, ou até mesmo de estado próximo ao coma nos casos mais avançados de delirium hipoativo. O extremo oposto, a hipervigilância, também pode ocorrer em casos de retirada de álcool ou de drogas sedativas, mas essa apresentação é menos comum em pessoas idosas. PEREIRA, DILSON DA SILVA; OLIVEIRA, SANDRO, VIEIRA DE. (2010).

 

 

 

 

Prof. Dr. Felipe dal Pizzol      
 

Delirium na terapia intensiva : Desafios de uma equipe multidisciplinar.Apresentação sobre Delirium em Terapia Intensiva nos Grandes Temas de Julho de 2010 Hospital Pró-Cardíaco.

 

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Referêncial Bibliográfico

 

SALLUH, Jorge Ibrain Figueira  and  PANDHARIPANDE, Pratik. Prevenção do delirium em pacientes críticos: um recomeço?. Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2012, vol.24, n.1, pp. 1-3. ISSN 0103-507X.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2012000100001.

 

PANDHARIPANDE P, Jackson J, Ely EW. Delirium: acute cognitive dysfunction in the critically ill. Curr Opin Crit Care. 2005;11(4):360-8.

 

BALLONE GJ, Moura EC - Delirium - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.

 

SALLUH JI, Dal-Pizzol F, Mello PV, Friedman G, Silva E, Teles JM, Lobo SM, Bozza FA, Soares M; Brazilian Research in Intensive Care Network. Delirium recognition and sedation practices in critically ill patients: a survey on the attitudes of 1015 Brazilian critical care physicians. J Crit Care. 2009;24(4):556-62.

 

PEREIRA, dilson da silva; Oliveira, sandro, vieira de. Delirium: um importante tipo de insuficiência cerebral aguda em unidades de terapia intensiva. belo horizonte – mg.2010

 

JANZ DR, Abel TW, Jackson JC, Gunther M, Heckers S, Ely EW. Brain autopsy findings in intensive care unit patients previously suffering from delirium: A pilot study. J Crit Care. 2010 june 24. [Epub ahead of print].

 

CÁSSIA, melissa tassano pitrowsky e cols. Importância da monitorização do delirium na unidade de terapia intensiva.Rev Bras Ter Intensiva. 2010; 22(3):274-279

 

PETERSON JF, Pun BT, Dittus RS, Thomason JW, Jackson JC, Shintani AK, Ely EW. Delirium and its motoric subtypes: a study of 614 critically ill patients. J Am Geriatr Soc. 2006;54(3):479-84.

DELÍRIO X DELIRIUM

 

    "Existe muita confusão no uso destes dois termos: delírio x delirium. O primeiro é um sintoma observado principalmente nas esquizofrenias e o segundo é uma categoria diagnóstica da Classificação Internacional de Doenças, a CID-10 (OMS, 1993) e do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Americana- APA, 1994). A palavra delírio etimologicamente significa "sair dos trilhos" (de: fora; e liros: sulcos). Por definição o conceito de delírio consiste em alteração do juízo de realidade (capacidade de distingüir o falso do verdadeiro) e implica em lucidez da consciência. Ou seja, para que se use o termo "delírio" Jaspers propõe que esta alteração do juízo não seja decorrente de uma perturbação da inteligência nem que seja secundário a um estado de consciência momentaneamente alterado. Quando a alteração de juízo é decorrente de um distúrbio da consciência, chamamos, então, de "delirium".

    Em outras palavras, indivíduos acometidos tanto de delirium como de delírio têm alterações do pensamento (ato noético) no que se refere à compreensão do significado dos fatos. Estas alterações terminam por comprometer a interação com outras pessoas.

    Pacientes com delírio (principalmente visto na esquizofrenia), ocorre alteração do conteúdo do pensamento, mas não da memória e da atenção. Quando há a alteração da orientação está se dá em decorrência do delírio, sendo mais frequente a "dupla orientação". Assim o paciente informa corretamente o seu nome, idade, endereço, sabe a data e local onde está, mas, ao mesmo tempo, acredita ser "Jesus Cristo" e diz morar em "Jerusalém". Ocorre um distúrbio do juízo crítico não influenciado na sua lógica e coerência por qualquer outra experiência psicológica, não se deixando refutar pelo pensamento lógico. Ao contrário dos pacientes com delirium, os esquizofrênicos relatam uma transformação do mundo, no qual ocorrem novas significações. Em geral, ocorre uma fase inicial que chamamos de humor delirante, quando o paciente começa a perceber esta alteração do mundo. Nobre de Mello cita algumas indagações que estes pacientes frequentemente fazem nestes períodos: "Há qualquer coisa no ar"... "Essa luz, essa claridade, positivamente não são comuns. Tudo agora está mudado". Gradualmente, vão surgindo novos significados. Para Jaspers, nos esquizofrênicos "não se destrói a crítica. Coloca-se apenas a serviço do delírio. O doente pensa, examina razões e contra-razões assim como o faria se fosse sadio". Nobre de Mello descreve o novo mundo que os esquizofrênicos vivenciam, da seguinte maneira:

 

"Dir-se-ia que todo o mundo perspectivo circundante do enfermo passa a encher-se de significações ocultas, dantes inexistentes, abrangendo coisas, objetos, animais pessoas, um universo, enfim, de significações novas, que os doentes se esforçam em vão por aclarar. Tudo em torno adquire sentido. Não há evento, por mais banal e rotineiro, que não encerre alguma intenção, que o paciente deseje ardentemente decifrar. Tudo quer dizer alguma coisa. Nada ocorre por acaso".

 

 

Texto pertence ao artigo delírio ou delirium? De Alexandre Biasi Cavalcanti e Letícia Maria Furlanetto.

Artigo original: http://www.ccs.ufsc.br/psiquiatria/delirium.html

 

 

 

 

 

 

 

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